Tiago FonsecaVIEW PROFILE →
Telluride, o festival secreto que faz reis: como uma pequena vila do Colorado decide os Óscares antes de todos
Enquanto Veneza brilha nos holofotes, é numa remota vila de montanha que a temporada de prémios se decide em silêncio. O Festival de Telluride, que guarda a sua programação em segredo até à véspera, regressa a 4 de setembro com Rebecca Hall como diretora convidada. Explicamos porque é que este é o s
Enquanto os grandes festivais de cinema competem por atenção mediática com passadeiras vermelhas e desfiles de estrelas, existe um outro, escondido nas montanhas dos Estados Unidos, que exerce uma influência desproporcional sobre a corrida aos Óscares. Falamos do Festival de Cinema de Telluride, um acontecimento singular que prova que o poder nem sempre precisa de holofotes para se afirmar.
Uma vila de montanha no centro do mundo
Situado numa antiga e remota vila mineira encravada nas Montanhas Rochosas do Colorado, Telluride está a milhares de quilómetros da agitação de Hollywood. E, no entanto, é precisamente neste cenário improvável, longe do bulício das grandes cidades, que muitos dos filmes que virão a dominar a temporada de prémios dão os seus primeiros e decisivos passos perante o público.
A sua próxima edição, a quinquagésima terceira da sua história, está marcada para decorrer entre os dias quatro e sete de setembro. Para conduzir esta nova edição, a organização escolheu a atriz e realizadora Rebecca Hall como diretora convidada deste ano, uma função de prestígio que ajuda anualmente a moldar a curadoria e o espírito artístico do certame.

O segredo mais bem guardado de Hollywood
Aquilo que verdadeiramente distingue Telluride de todos os outros grandes festivais é a sua obsessão quase lendária pelo secretismo em torno da programação. Ao contrário de Veneza ou Cannes, que anunciam as suas seleções com semanas de antecedência e grande pompa, Telluride mantém a sua lista de filmes rigorosamente fechada a sete chaves até ao último momento possível.
Tradicionalmente, o programa oficial só é revelado no dia anterior ao arranque do festival, deixando críticos, jornalistas e cinéfilos numa expectativa febril até à véspera. Este ano, a alforria só deverá acontecer por volta do dia três de setembro, e é precisamente esse secretismo que o torna tão especial.
Os rumores desta edição
Apesar de todo o hermetismo, é inevitável que os rumores circulem e alimentem a especulação nos meios especializados nas semanas que antecedem o evento. Para esta edição, vários títulos de peso são apontados como possíveis estreias surpresa, entre os quais se destaca o filme Behemoth!, uma nova obra assinada pelo aclamado realizador Tony Gilroy.
A par deste, outro nome que surge com frequência nas conversas é The Debut, um projeto associado ao versátil ator e realizador Jesse Eisenberg. Naturalmente, nada disto é oficial até a organização levantar o véu, mas a simples possibilidade de ver estas obras em primeira mão já é suficiente para gerar uma enorme antecipação entre os presentes no Colorado.
Uma rampa de lançamento comprovada
A reputação de Telluride como autêntico fazedor de reis não é fruto do acaso, mas sim de um historial notável e consistente ao longo dos anos. Se a experiência das edições anteriores servir de guia, tudo indica que esta seleção voltará a funcionar como uma poderosa rampa de lançamento para os principais candidatos da próxima cerimónia dos Óscares.
Basta olhar para o ano passado para perceber a dimensão da sua influência no ecossistema do cinema de autor. Foi em Telluride que ganharam balanço títulos como Hamnet, de Chloé Zhao, o aclamado Sentimental Value, de Joachim Trier, e ainda It's Just an Accident, do corajoso cineasta iraniano Jafar Panahi, todos eles transformados em fenómenos de crítica.
O prelúdio de um outono decisivo
A posição de Telluride no calendário não podia ser mais estratégica, funcionando como uma espécie de prelúdio silencioso para os festivais que se seguem. Realizando-se logo após a abertura de Veneza e mesmo antes do arranque do concorrido Festival de Toronto, o certame do Colorado ocupa um lugar privilegiado no arranque da longa maratona de prémios do outono.
Assim, para os apaixonados por cinema que gostam de antecipar quais serão os filmes a dominar as conversas nos próximos meses, os olhos devem virar-se agora para aquela pequena vila de montanha. Longe do ruído e da ostentação, é ali, no silêncio das Montanhas Rochosas, que uma boa parte do futuro da temporada cinematográfica começa discretamente a ser escrita.






