Tiago FonsecaVIEW PROFILE →
Portugal quer ser cenário de cinema: como os novos incentivos podem atrair grandes produções ao país
Com um novo sistema de incentivos em vigor desde 2026 e reembolsos que podem chegar aos 40% na Madeira e nos Açores, Portugal aposta em transformar-se num destino de eleição para produções de cinema e televisão internacionais.
Paisagens variadas, luz de sobra e custos competitivos: Portugal tem, há muito, os ingredientes para atrair equipas de cinema de todo o mundo. Agora, o país decidiu reforçar essa aposta com dinheiro em cima da mesa. Um novo e mais generoso sistema de incentivos financeiros procura convencer as grandes produções internacionais a escolher o território português para filmar.
Um novo sistema com 350 milhões
A grande novidade é o SCRI.PT, o Sistema de Incentivos ao Cinema e ao Audiovisual, em vigor desde fevereiro de 2026 e gerido pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA). Este novo enquadramento junta os antigos programas de apoio num só pacote, dotado de cerca de 350 milhões de euros para o período de 2026 a 2029, sinalizando uma ambição de longo prazo e não apenas um apoio pontual e passageiro.
Reembolsos até 40%

Na prática, o sistema funciona em dois níveis. Existe um reembolso do tipo 'cash rebate', de 25 a 30%, pensado para produções de pequena e média dimensão, e um 'cash refund' de 30% orientado para os projetos de maior orçamento. Para algumas produções, o valor pode ainda subir até 40% quando a rodagem acontece em zonas de baixa densidade populacional ou nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.
Porque é que isto interessa a Portugal
O objetivo vai muito além do prestígio cultural. Uma grande produção internacional gera emprego para técnicos locais, contrata serviços, ocupa hotéis e dá formação a profissionais portugueses. Além disso, quando um filme ou série de sucesso mostra as paisagens do país, funciona como uma enorme montra turística, atraindo depois visitantes que querem conhecer ao vivo os cenários que viram no ecrã.
A concorrência é feroz
Portugal não está, no entanto, sozinho nesta corrida. Praticamente todos os países europeus oferecem hoje incentivos semelhantes para captar rodagens, o que torna a concorrência extremamente intensa. Para se destacar, o país aposta na combinação entre apoios financeiros competitivos, uma grande diversidade de cenários e a experiência crescente das suas equipas técnicas, procurando um lugar estável neste mercado global.
Se a estratégia resultar, os próximos anos poderão trazer mais rodagens internacionais a Lisboa, ao Porto, ao Alentejo ou às ilhas. Para o espetador comum, a mudança pode parecer subtil, mas é bem real: paisagens familiares a servir de pano de fundo a grandes produções globais. E, nos bastidores, uma indústria portuguesa a crescer aos poucos, um projeto de cada vez, à boleia do cinema mundial.






