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Veneza 2026: o festival de cinema mais antigo do mundo arranca com Danny Boyle e vinte filmes em competição

culture2026-08-17 · 4 min read · 2 reads

O Festival de Cinema de Veneza decorre de 2 a 12 de setembro de 2026, com a estreia mundial de Ink, de Danny Boyle. Nomes como Martin McDonagh, Werner Herzog e Nanni Moretti disputam o Leão de Ouro numa competição de vinte filmes.

Os olhos do mundo do cinema voltam a virar-se para a Itália nas próximas semanas. O Festival de Cinema de Veneza, o mais antigo do mundo, prepara-se para mais uma edição repleta de estreias e grandes nomes. Para os cinéfilos, é um dos momentos altos do ano, onde se apresentam alguns dos filmes mais esperados. A cidade dos canais transforma-se, por alguns dias, na capital mundial da sétima arte.

A edição de 2026 decorre entre os dias 2 e 12 de setembro, na ilha do Lido, em Veneza. A cerimónia de encerramento, na qual serão anunciados os prémios, está marcada para o dia 12 de setembro no Palazzo del Cinema. À frente da seleção está, uma vez mais, o diretor artístico Alberto Barbera, responsável por definir o programa do festival. É ele quem escolhe quais os filmes que terão a honra de competir.

A abertura do festival está entregue a um cineasta de renome internacional. O filme escolhido para inaugurar esta edição é Ink, realizado pelo britânico Danny Boyle, conhecido pelo seu estilo enérgico e distintivo. Segundo a imprensa especializada, a obra debruça-se sobre os primeiros tempos do império mediático de Rupert Murdoch. Uma estreia mundial deste calibre define desde logo o tom ambicioso da edição.

A competição principal

Todos os anos, o festival apresenta em estreia mundial alguns dos filmes mais aguardados do cinema de autor.
Todos os anos, o festival apresenta em estreia mundial alguns dos filmes mais aguardados do cinema de autor.

O coração do festival é, como sempre, a sua competição principal. Este ano, vinte filmes disputam o cobiçado Leão de Ouro, o prémio máximo atribuído em Veneza. Todos eles são apresentados em estreia mundial, o que confere ao festival um enorme peso no calendário do cinema. Ganhar em Veneza é frequentemente o primeiro passo de uma longa e prestigiada temporada de prémios.

Entre os concorrentes destacam-se vários realizadores consagrados que regressam ao Lido. O irlandês Martin McDonagh apresenta Wild Horse Nine, a sua primeira longa-metragem desde Os Espíritos de Inisherin, que em 2022 brilhou precisamente em Veneza. Também o veterano cineasta alemão Werner Herzog está na corrida, com o filme de título provocador Bucking Fastard. São presenças que garantem qualidade e atenção mediática à competição.

A seleção conta ainda com nomes maiores do cinema de autor mundial. O sul-coreano Lee Chang-dong regressa às longas-metragens com Possible Love, ao fim de vários anos de ausência. O japonês Hirokazu Kore-eda, um dos realizadores mais respeitados da atualidade, traz Look Back, enquanto o francês Florian Zeller compete com Bunker. A diversidade de origens reforça o carácter verdadeiramente internacional do certame.

O Festival de Veneza decorre de 2 a 12 de setembro de 2026, com vinte filmes a disputar o Leão de Ouro.

Presença italiana e debate

Como seria de esperar, o cinema italiano marca forte presença no seu festival de casa. Um dos momentos mais aguardados é o regresso do lendário realizador Nanni Moretti, que compete com Succederà Questa Notte. A sua participação é sempre um acontecimento para o público e a crítica italianos. A forte representação nacional confirma a importância de Veneza como montra do cinema do país anfitrião.

A edição deste ano não está, contudo, isenta de debate e de alguma polémica. Vários observadores notaram que a seleção surge mais leve em produções de grandes estúdios e plataformas de streaming do que em anos anteriores. Ainda mais comentada foi a constatação de que a competição é fortemente dominada por realizadores homens. Entre os vinte filmes a concurso, apenas uma realizadora mulher está representada, o que reacendeu a discussão sobre a igualdade no cinema.

Porque Veneza importa

Para além do glamour, o Festival de Veneza tem um peso enorme na indústria do cinema. Fundado em 1932, é o festival de cinema mais antigo do mundo e um dos três mais prestigiados, ao lado de Cannes e Berlim. Ao longo das décadas, tornou-se uma verdadeira rampa de lançamento para a temporada de prémios que culmina nos Óscares. Muitos filmes que estreiam no Lido acabam, meses depois, a brilhar nas grandes cerimónias internacionais.

A aposta clara desta edição no cinema de autor tem também um significado mais profundo. Numa altura em que as plataformas de streaming dominam grande parte do consumo, festivais como Veneza reafirmam o valor da experiência coletiva na sala de cinema. Segundo o próprio festival, a seleção procura reforçar o papel do cinema como forma de compreender o mundo real. Os filmes escolhidos abordam, assim, alguns dos grandes desafios contemporâneos.

Para o público português e europeu, o certame é uma janela privilegiada sobre o melhor do cinema mundial. Muitos dos filmes que agora se estreiam em Veneza chegarão mais tarde às salas e aos festivais nacionais. Acompanhar o que ali acontece é, por isso, antecipar as conversas cinéfilas dos próximos meses. Enquanto o Lido se prepara para receber estrelas e realizadores, todas as atenções se concentram já em saber quem levantará o Leão de Ouro no dia 12 de setembro.

Tiago Fonseca
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Tiago Fonseca
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